quarta-feira, 23 de maio de 2012

Relações de Bolso


“Estamos longe de saber tudo o que nossas paixões nos induzem a fazer”

La Rochefoucauld



Independente do nível de comprometimento relacional que as pessoas têm umas com as outras, existe algo que eu chamo de "moeda de troca" relacional.
 Acontece mais ou menos assim: nós estabelecemos uma hierarquia do amor, depois  estabelecemos uma moeda de troca e capital de giro nas nossas relações. Consequentemente nós descobrimos o que ameaça o objeto do nosso amor e o que lhe torna feliz e alegre. Por exemplo, se uma menininha ‘ama’ demais o seu pai, ela vai desenvolver mecanismos que lhe ajude na conta relacional com seu pai, ela pode usar como moeda relacional segredar ao pai as peraltices do irmão.Uma pessoa pode ser amiga de outra, para descobrir suas fraquezas e posteriormente usar isso como investimento na amizade dela com outro amigo mais chegado.
Bajulação é uma moeda muito comum nas relações humanas. Bajula-se para receber atenção, para que em troca o outro diga  algo que compense a auto-rejeição. Bajula-se para encobrir fobias e temores do bajulado. O carneiro elogia a juba do leão pra ver se ele não o devora.
Outra moeda bastante comum nas relações humanas é a maledicência. A pessoa adora sentar com outra para fofocar sobre a vida de outrem. Dão ótimas gargalhadas, contando sobre as vestes da fulaninha da igreja. Até se deliciam com a infelicidade que acometeu o outro. Em alguns níveis e com algumas pessoas essas relações são parasitárias e, com outras pessoas, são de cooperação e sacrifício. Pois isso concordo com Cícero, que dizia que não há verdadeira amizade se a base dessa relação não são virtudes. Já é pecado não amar, mais ainda manipular para se beneficiar.

“Falam com falsidade uns aos outros, falam com lábios bajuladores e coração fingido” Sl 12:2

Pr. Lindomar

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